É tão fácil falar de limite, ainda mais quando é para os outros, mas quando o negócio é para o nosso lado a coisa se complica.
Pois é, estou sentindo na pele, ou melhor no ombro esquerdo, a limitação do meu corpo.
Eu me considero um “tratorzinho” na hora de trabalhar. Procuro dar o máximo de mim na esperança de chegar ao fim. Sempre foi assim. Já me deparei várias vezes varando madrugada para terminar algo, indo ainda além do cansaço para alcançar o objetivo final. Mais será que é o certo? Agora estou na dúvida.
Nos tempos de mestrado, quando ainda estava em Barão Geraldo me enfiava dentro de casa e mau via a rua. Várias vezes até pedia para Popa levar comida para mim só para não ter que parar com o trabalho. Nesse período meu corpo também sinalizou seus limites: engordei, e chegou um dia em que minhas mãos doíam, todo os dedos pediram para eu descansar. Com tamanha pressão acabei cedendo um pouco. Porém na verdade ceder não é muito fácil e confesso, vergonhosamente, que sou “duro na queda”.
A convivência com Popa tem me mostrado o outro lado, novas possibilidades. Ainda tenho insegurança. Fico com medo de parar um trabalho antes do fim. É como se não pudesse. E aí agora, tenho de brinde uma tendinite de ombro. Sei que é algo simples e passageiro, porém preciso rever meus conceitos.
Com a trabalheira para a exposição corri muito e não tive muito tempo para parar. A exposição foi no dia 28, e já no dia 04 embarquei para Buenos Aires (essa é outra etapa, muito por sinal que conto em outra hora) e lá junto com a frente fria veio os primeiros sinais da tendinite. Na volta procurei ajuda médica e comecei fisioterapia com a Mônica. Melhorei e já viu, parei o remédio, relaxei com a fisio e não coloquei gelo. Ah, e mais, para completar a cena fiz 8 (isso mesmo “oito”) horas de mosaico nessa última quarta. Durante a manhã de ontem trabalhei sem problemas, inclusive até, dizendo para os meus pacientes que já estava boa. Porém “alegria de pobre dura pouco” e logo depois do almoço a bichinha voltou com força total. E agora cá estou eu morrendo de vontade de fazer artesanato e com limitações.
Estou me lembrando de vários conselhos e orientações que tanto digo para os outros e vendo na pele o que acontece quando não damos atenção ao nosso corpo. Talvez seja essa consciência o motivo do meu bico. É ruim aceitar o que temos de errado, nossos defeitos. A frase de Caetano é perfeita: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Na delícia muitas vezes nem nos lembramos de agradecer, ou mesmo de curtir com carinho e amor as vantagens da nossa saúde. Mas na dor a reclamação é geral.
Agora preciso redirecionar minhas atitudes, rever meus trabalhos e principalmente cuidar mais do meu corpo. Tenho sido muito relapsa com ele, e ele está reclamando.
Vou tentar me organizar, propiciar mais momentos para “desanuviar”, quem sabe assim o equilíbrio volta e fica por muito, muito mais tempo. Preciso aprender mais o modo de vida de Popa: desanuviar a mente para trabalhar melhor.
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