sábado, 20 de abril de 2013

Vida doméstica

Acho que vou mexer em vespeiro...
Bom, aqui em casa somos 4, como sabem dois adultos e duas crianças agora com 4 anos e 3 meses.
É obvio que manter o mínimo de arrumação dá trabalho, para isso, eu que trabalho em casa, fazendo artesanato, conto a ajuda fiel de uma passadeira semanal.
Sim é isso.
Antes de mais nada estou em busca de uma faxineira, também 1 vez na semana e aí sim ficarei bem mais feliz  e em harmonia, comigo, com minha família e com a casa.
Sair de um trabalho "fixo" quando as meninas nasceram foi uma decisão difícil e, no final das contas não era compensador financeiramente eu voltar a trabalhar como fonoaudióloga (isso porque no meu antigo trabalho eu entrei por análise de currículo, então meu mestrado contou pontos a meu favor), pois mesmo formada há mais de 10 anos em com pós graduação meu salário não alcançava o valor de R$1000,00, sim o valor é esse mesmo, na verdade menos, eu recebi, até maio de 2009 R$853,00!!!!!!!!
O valor era igual a todos os profissionais de saúde e sem nenhuma gratificação por pós graduação.
No início algumas pessoas questionaram a respeito da minha saída, mas ao relatar os dados numéricos, todos ficaram sem reação.
É inegável que TODOS precisamos de remuneração adequada, no entanto, em 12 anos de atuação eu vi na pele que meus esforços estavam morrendo na praia. Ao comparar o meu salário, com anos de dedicação a fio com o de uma doméstica sempre me vi na pior...
O fato é que, mesmo com tudo isso, sempre valorizei tal trabalho, e costumo dizer que aqui todas as 13 que passaram, durante o período de 2 anos e 2 meses (período) desde o nascimento das minhas filhas, foram tratadas com dignidade e respeito.
Aqui, eu e meu marido NUNCA pensamos na possibilidade de alguém dormindo em nosso apartamento. Sempre fomos da opinião que, assim como nós temos a nossa família e a nossa privacidade, a outra pessoa também tem tais direitos, afinal, ela é apenas uma funcionária e não faz parte da família.
Outro ponto muito importante, é que também, de comum acordo, nós dois sempre acreditamos que nossas filhas são "um empréstimo de Deus" para nós, e que nós é quem somos responsáveis por elas. familiares, funcionários e escolas são todos coadjuvantes. As dores das madrugadas pertencem tão somente à nós, assim como os vômitos nos domingos à noite, as acordadas perdidas na madrugada...
Tudo isso faz parte do grande pacote FAMÍLIA, caso contrário seríamos 4 avulsos pelo mundo...
Bom, voltando às domésticas, vamos ao lado prático da história.
Com a chegada de 2 bebês quase prematuras em casa, é óbvio que toda a ajuda do mundo foi necessária. Mesmo tendo minha mãe conosco por necessários 10 meses, tendo meus sogros que nos apoiam demais, ainda sim a doméstica foi vital.
Mas uma outra pessoa nesse cenário também não foi só ajuda não, Não foi à toa que passaram o número de 13!
Nesse período aprendi, a duras penas o quanto vale o meu sossego, o que realmente é a minha casa, e principalmente QUEM eu deixo entrar a minha casa e influenciar as minhas filhas.
Partindo do princípio que minha graduação é em fonoaudiologia e minhas pós graduações, tanto especialização quanto mestrado, foram na área de aquisição de linguagem infantil, eu não podia, por todos os meus princípios delegar esses anos tão essenciais das minhas filhas à pessoas infinitamente menos qualificada.
Sem frescura, e sem preconceito, aqui estou falando sim de PÓS CONCEITO. Acho inacreditável a capacidade que quase todas, senão todas, as pessoas capacitadas como domésticas e babás têm de falar ao celular e ao telefone da casa, leia-se o meu!
Todas elas ficam o tempo todo ao telefone e são sempre elas que resolvem os problemas da família toda. Na verdade isso nem entra em questão, pois mãe já sabe né, sobra tudo e mais um pouco.
Mas fico chocada vendo filha e filho de mais de 20 anos ligar para falar nada, contar fofoca, em pleno expediente de trabalho, entre outras coisas.
Fala-se muito dos direitos, mas esquecem dos deveres. Essas pessoas são funcionárias e, a partir do nome, deveriam sim funcionar!
Aqui em casa uso a seguinte frase: "eu preciso de alguém que me ajude, pois para me atrapalhar, sozinha eu consigo!"
E é bem isso mesmo.
Vou aos casos:
* Uma delas não dava conta de fazer o trabalho. Ao ver as roupas (muitos paninhos das bebês), sentava no chão e chorava... Sim isso é verdade, e mais, não dando conta, ligava para a mãe, que faz faxina pelo bairro, para vir ajudá-la.
*Outra apareceu procurando trabalho em abril, quando as meninas eram bem bebezinhas, eu precisava demais. Não tive empatia. Rezei para ela não aparecer mas ela veio :(
Primeiro ela quis cantar Calipso para as meninas, e óbvio, eu cortei. Outro dia, eu estava com o CD de Chico Buarque e ela, na sala com uma das meninas colo disse: "isso aí que tá tocando, não toca mesmo lá em casa. Nem isso nem aqueles dois baianos  o preto e o branco, não toca mesmo." Para confirmar eu perguntei: "Caetano e Gil?" E ela "esses dois mesmo!"
Essa mesma "peça" terminou seu grande período de 4 meses aqui em casa com a mais "bela" de todas as pérolas que já vi. Na verdade foi um tipo de soco, tão grande que nem tive reação para resposta imediata. Isso aconteceu na sexta e só reagi na segunda.
Estávamos eu, minha mãe e as bebês na sala, brincando apenas nós. Eis que surge, vindo da cozinha a criatura e solta: "a senhora só ficou bonita do dia do seu casamento e depois nunca mais!" Dito isso virou as costas e voltou para a cozinha.
Acreditem isso foi verdade sim. Não posso provar pois não tenho câmeras em casa, mas minha viu e ouviu isso, e assim como eu, ficou de boca aberta e sem reação.
Eu juro, pelo que há de mais sagrado que isso aconteceu e que eu fiquei tão perdida, e sem chão que esperei que meu marido chegasse de viagem para resolvermos s situação. Obviamente ela foi demitida logo na chegada da segunda feira.
O aprendizado custa, e história reverberou em mim até cair a ficha. Porque ela soltou essa pérola? É obvio, havia passado e período de experiência, ela sabia que ganharia a mais por isso, e daí esperou pelo tempo e fez essa palhaçada.
Lição vivida, lição aprendida
*Algumas tentativas depois, e as meninas já por volta de 1 ano e 1 mês eis que novamente aparecem problemas. Nessa fase as meninas estavam com virose e, claro, quem tem filho sabe é um nó. Os vômitos aparecem a gente fica perdida.
Em meio a esse cenário a tal funcionária precisou sair um dia mais cedo para levar o filho, de 19 anos para retirar um dente, e claro, eu dei o adiantamento para ela pagar tal procedimento. Aí, eu nervosa e preocupada com minhas filhas fui vendo que ela estava com cara feia, sem conversa, e uma bela hora pediu para conversar comigo. Disse que eu não estava satisfeita com ela, que eu deveria demití-la e que eu estava misturando os problemas pessoais com os problemas profissionais ???
Bom, depois dessa aula de administração doméstica instantânea, eu já me toquei que ela também havia completado 3 meses de casa!
Bingo!
Isso mesmo ela queria sair por cima!
Mas dessa vez eu já sabia e assumindo uma calma e frieza necessária soltei as pérolas: "bom, eu acho sim que você tem defeitos, no entanto suas qualidades superam, sendo assim eu não vejo motivo algum para te demitir. Caso os meus defeitos sejam muitos para você suportar, aí quem deve pedir demissão é você!"
A mulher ficou perdida, sem saída, e já como estava com a carteira de trabalho em mãos, pediu para sair!
Aprendi!
Bom, esses foram alguns dos muitos casos dessa humilde residência.
Com isso tudo as minhas conclusões:
  1. quem está na minha casa tem a minha cara. Ou isso ou nada;
  2. meu nível de exigência é alto. Funcionária aqui sempre foi bem tratada e deve se portar a altura;
  3. o meu silêncio é precioso! É dele que brota o meu trabalho;
  4. muito cuidado com os exemplos a que se expõe uma criança. Elas são esponja absorvem tudo;
  5. a infância passa, mas as marcas que ficam nela podem não passar.
Sem perder a fé na vida e com carinho sempre,
Lidiane

Um comentário:

Lidiane disse...

Exatamente!

As pessoas só costuma ver o lado "frágil" da história. Só que nem sempre há lado frágil, há o lado bom e o ruim... às vezes o bom somos nós, às vezes não somos. O que não faz de nós coitadas, nem das domésticas. na nossa casa tivemos osrte de ter uma que durou por muito anos e que era muito boa. No entento e ainda assim (pra ser redundante mesmo) ela tinha defeitos como as músicas que escutava, o falar errado. mas era impecável no trabalho. Tivemos sorte e todos sabemos que não é sempre assim. Com tanta juda governamental, muitas delas não se empenham em manter os empregos, porque sabem que dinate de um juiz de trabalho, praticamente smpre estão com a razão.