sábado, 20 de abril de 2013

Vida doméstica

Acho que vou mexer em vespeiro...
Bom, aqui em casa somos 4, como sabem dois adultos e duas crianças agora com 4 anos e 3 meses.
É obvio que manter o mínimo de arrumação dá trabalho, para isso, eu que trabalho em casa, fazendo artesanato, conto a ajuda fiel de uma passadeira semanal.
Sim é isso.
Antes de mais nada estou em busca de uma faxineira, também 1 vez na semana e aí sim ficarei bem mais feliz  e em harmonia, comigo, com minha família e com a casa.
Sair de um trabalho "fixo" quando as meninas nasceram foi uma decisão difícil e, no final das contas não era compensador financeiramente eu voltar a trabalhar como fonoaudióloga (isso porque no meu antigo trabalho eu entrei por análise de currículo, então meu mestrado contou pontos a meu favor), pois mesmo formada há mais de 10 anos em com pós graduação meu salário não alcançava o valor de R$1000,00, sim o valor é esse mesmo, na verdade menos, eu recebi, até maio de 2009 R$853,00!!!!!!!!
O valor era igual a todos os profissionais de saúde e sem nenhuma gratificação por pós graduação.
No início algumas pessoas questionaram a respeito da minha saída, mas ao relatar os dados numéricos, todos ficaram sem reação.
É inegável que TODOS precisamos de remuneração adequada, no entanto, em 12 anos de atuação eu vi na pele que meus esforços estavam morrendo na praia. Ao comparar o meu salário, com anos de dedicação a fio com o de uma doméstica sempre me vi na pior...
O fato é que, mesmo com tudo isso, sempre valorizei tal trabalho, e costumo dizer que aqui todas as 13 que passaram, durante o período de 2 anos e 2 meses (período) desde o nascimento das minhas filhas, foram tratadas com dignidade e respeito.
Aqui, eu e meu marido NUNCA pensamos na possibilidade de alguém dormindo em nosso apartamento. Sempre fomos da opinião que, assim como nós temos a nossa família e a nossa privacidade, a outra pessoa também tem tais direitos, afinal, ela é apenas uma funcionária e não faz parte da família.
Outro ponto muito importante, é que também, de comum acordo, nós dois sempre acreditamos que nossas filhas são "um empréstimo de Deus" para nós, e que nós é quem somos responsáveis por elas. familiares, funcionários e escolas são todos coadjuvantes. As dores das madrugadas pertencem tão somente à nós, assim como os vômitos nos domingos à noite, as acordadas perdidas na madrugada...
Tudo isso faz parte do grande pacote FAMÍLIA, caso contrário seríamos 4 avulsos pelo mundo...
Bom, voltando às domésticas, vamos ao lado prático da história.
Com a chegada de 2 bebês quase prematuras em casa, é óbvio que toda a ajuda do mundo foi necessária. Mesmo tendo minha mãe conosco por necessários 10 meses, tendo meus sogros que nos apoiam demais, ainda sim a doméstica foi vital.
Mas uma outra pessoa nesse cenário também não foi só ajuda não, Não foi à toa que passaram o número de 13!
Nesse período aprendi, a duras penas o quanto vale o meu sossego, o que realmente é a minha casa, e principalmente QUEM eu deixo entrar a minha casa e influenciar as minhas filhas.
Partindo do princípio que minha graduação é em fonoaudiologia e minhas pós graduações, tanto especialização quanto mestrado, foram na área de aquisição de linguagem infantil, eu não podia, por todos os meus princípios delegar esses anos tão essenciais das minhas filhas à pessoas infinitamente menos qualificada.
Sem frescura, e sem preconceito, aqui estou falando sim de PÓS CONCEITO. Acho inacreditável a capacidade que quase todas, senão todas, as pessoas capacitadas como domésticas e babás têm de falar ao celular e ao telefone da casa, leia-se o meu!
Todas elas ficam o tempo todo ao telefone e são sempre elas que resolvem os problemas da família toda. Na verdade isso nem entra em questão, pois mãe já sabe né, sobra tudo e mais um pouco.
Mas fico chocada vendo filha e filho de mais de 20 anos ligar para falar nada, contar fofoca, em pleno expediente de trabalho, entre outras coisas.
Fala-se muito dos direitos, mas esquecem dos deveres. Essas pessoas são funcionárias e, a partir do nome, deveriam sim funcionar!
Aqui em casa uso a seguinte frase: "eu preciso de alguém que me ajude, pois para me atrapalhar, sozinha eu consigo!"
E é bem isso mesmo.
Vou aos casos:
* Uma delas não dava conta de fazer o trabalho. Ao ver as roupas (muitos paninhos das bebês), sentava no chão e chorava... Sim isso é verdade, e mais, não dando conta, ligava para a mãe, que faz faxina pelo bairro, para vir ajudá-la.
*Outra apareceu procurando trabalho em abril, quando as meninas eram bem bebezinhas, eu precisava demais. Não tive empatia. Rezei para ela não aparecer mas ela veio :(
Primeiro ela quis cantar Calipso para as meninas, e óbvio, eu cortei. Outro dia, eu estava com o CD de Chico Buarque e ela, na sala com uma das meninas colo disse: "isso aí que tá tocando, não toca mesmo lá em casa. Nem isso nem aqueles dois baianos  o preto e o branco, não toca mesmo." Para confirmar eu perguntei: "Caetano e Gil?" E ela "esses dois mesmo!"
Essa mesma "peça" terminou seu grande período de 4 meses aqui em casa com a mais "bela" de todas as pérolas que já vi. Na verdade foi um tipo de soco, tão grande que nem tive reação para resposta imediata. Isso aconteceu na sexta e só reagi na segunda.
Estávamos eu, minha mãe e as bebês na sala, brincando apenas nós. Eis que surge, vindo da cozinha a criatura e solta: "a senhora só ficou bonita do dia do seu casamento e depois nunca mais!" Dito isso virou as costas e voltou para a cozinha.
Acreditem isso foi verdade sim. Não posso provar pois não tenho câmeras em casa, mas minha viu e ouviu isso, e assim como eu, ficou de boca aberta e sem reação.
Eu juro, pelo que há de mais sagrado que isso aconteceu e que eu fiquei tão perdida, e sem chão que esperei que meu marido chegasse de viagem para resolvermos s situação. Obviamente ela foi demitida logo na chegada da segunda feira.
O aprendizado custa, e história reverberou em mim até cair a ficha. Porque ela soltou essa pérola? É obvio, havia passado e período de experiência, ela sabia que ganharia a mais por isso, e daí esperou pelo tempo e fez essa palhaçada.
Lição vivida, lição aprendida
*Algumas tentativas depois, e as meninas já por volta de 1 ano e 1 mês eis que novamente aparecem problemas. Nessa fase as meninas estavam com virose e, claro, quem tem filho sabe é um nó. Os vômitos aparecem a gente fica perdida.
Em meio a esse cenário a tal funcionária precisou sair um dia mais cedo para levar o filho, de 19 anos para retirar um dente, e claro, eu dei o adiantamento para ela pagar tal procedimento. Aí, eu nervosa e preocupada com minhas filhas fui vendo que ela estava com cara feia, sem conversa, e uma bela hora pediu para conversar comigo. Disse que eu não estava satisfeita com ela, que eu deveria demití-la e que eu estava misturando os problemas pessoais com os problemas profissionais ???
Bom, depois dessa aula de administração doméstica instantânea, eu já me toquei que ela também havia completado 3 meses de casa!
Bingo!
Isso mesmo ela queria sair por cima!
Mas dessa vez eu já sabia e assumindo uma calma e frieza necessária soltei as pérolas: "bom, eu acho sim que você tem defeitos, no entanto suas qualidades superam, sendo assim eu não vejo motivo algum para te demitir. Caso os meus defeitos sejam muitos para você suportar, aí quem deve pedir demissão é você!"
A mulher ficou perdida, sem saída, e já como estava com a carteira de trabalho em mãos, pediu para sair!
Aprendi!
Bom, esses foram alguns dos muitos casos dessa humilde residência.
Com isso tudo as minhas conclusões:
  1. quem está na minha casa tem a minha cara. Ou isso ou nada;
  2. meu nível de exigência é alto. Funcionária aqui sempre foi bem tratada e deve se portar a altura;
  3. o meu silêncio é precioso! É dele que brota o meu trabalho;
  4. muito cuidado com os exemplos a que se expõe uma criança. Elas são esponja absorvem tudo;
  5. a infância passa, mas as marcas que ficam nela podem não passar.
Sem perder a fé na vida e com carinho sempre,
Lidiane

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Abrir mão

Viver é uma arte, e quando os filhos chegam o aprendizado de cada dia é muito maior do que a vasta bibliografia sobre o assunto pode dizer.
Saber lidar com egos e eguinhos, dosar broncas e afetos, carinhos e autoridade, liberdade e disciplina. A lista é longa.
Mas em meio a tudo isso existem as escolhas e, a cada escolha feita, abre-se mão da outra opção.
É simples e fato: não dá para ter tudo ao mesmo tempo.
Bom mas toda essa introdução é para dizer o obvio: "em casa de ferreiro o espeto é de pau".
Assim mesmo.
Por aqui vai tudo bem, obrigada, mas o fato é as Marias, minhas gêmeas de 4 anos e 1 mês iniciarão processo de terapia fonoaudiológica nessa sexta feira. Para deixar claro, a fono não sou eu!
Virá uma fonoaudióloga para auxiliá-las no processo de aquisição fonológica do som mais "chatinho" (posso dizer pois é o que mais vi nos anos de trabalho) o do R entre vogais, o R de arara, orelha, marido, ouro, urubu.
Pois é, eu tentei e esperei um pouquinho, mas elas precisam de ajuda, e eu, em meio a tantas afazeres entre  família, casa e artesanato, não dei conta, estou passando a bola para quem poderá fazer o trabalho como ele deve ser feito.
Sei que para alguns pode parecer exagero, mas para quem sabe um pouco do assunto, na idade delas, aos 4 anos esse som já encontra-se estabelecido.
Nos livros em que estudei que datam entre 1995 e 2005 a teoria dizia que o processo de aquisição dos fonemas de uma língua se consolida até os 7 anos, sendo assim poderia se esperar até tal idade. No entanto, o que acontece na prática, e cada vez mais cedo, as crianças são muito estimuladas a muitas produções orais, como canções, desenhos com nomes estrangeiro (Ex: backyardigans) e tudo isso contribui para uma produção cada vez mais precisa. Tenho observado que, de modo geral, aos 5 anos as crianças já
apresentam toda a aquisição dos fonemas do nosso português, dessa forma é importante procurar ajuda o quanto antes.
Um indicativo fácil e prático é procurar conversar e observar os colegas de seus filhos, observar as crianças ao redor, assim é possível ter um possível referencial de como anda a fala e linguagem de seu pequeno.
Como disse anteriormente, esse som em questão é muito comum de trazer dificuldade para as crianças e é um dos últimos no processo de aquisição. Contudo, quero ressaltar que já ouvi crianças de menos 3 anos falando esse mesmo fonema com muita precisão.
Bom, apesar de saber que a fonoaudiologia faz parte de mim, para minhas filhas eu serei apenas a mãe.
Abraço a tod@s, Lidiane


domingo, 13 de janeiro de 2013

Festa feita à mão, ou melhor às mãos

Antes de ser mãe falava e fazia coisas bem diferentes.
Achava festa infantil um exagero. Festa de 1 ano então, um absurdo, afinal a criança nem sabe o que se passa...
Mas depois de querer, desejar, tentar algumas vezes e ter a certeza da gravidez, e de serem duas meninas aí nada mais foi como antes, principalmente no quesito festa.
Logo de cara, em julho de 2009 elas estavam com 6 meses, mas estavam por aqui minha irmã e minha prima, e claro, porque não uma festa?
E aí corremos e fizemos a primeira festa de aniversário delas, afinal as duas juntas completaram o primeiro ano de vida.
Vale lembrar que ainda nesse dia, apenas com 6 meses, elas adoraram a festa, curtiram e se alegraram com cada um que veio, com os enfeites fabricados de última hora e tudo o mais...
E daí em diante não preciso dizer muito mais, apenas completar que a comemoração de cada ano é uma maneira de agradecer a Deus e compartilhar com os que amamos a alegria da vida dessas meninas, que certamente são o nosso foco principal.
Com tudo isso em mente pensar na festa é algo que adoro. Sempre gosto de fazer o máximo possível, e começo a organizar as coisas com antecedência, por dois motivos: primeiro que o fazer leva tempo, e segundo que, por ser perto das festas de final de ano eu preciso ter o mínimo de ordem senão não dou conta mesmo.
Esse ano pensei em fazer uma "festa verde".
Adoro as bolas de borracha, mas resolvi que não teria nenhuma. Faria uso de materiais recicláveis.
A partir daí comecei a arrecadar doações de garrafas de coca cola de vários tamanhos, rolinhos de papel e caixas de leite tetra pac.
Todo esse esquema começou em agosto, e pensei ainda em fazer uns furokamas* com papéis coloridos.
Aliás, vale lembrar que os tais furokamas eu aprendi a técnica da dobradura em feira de desenvolvimento e sustentabilidade ExpoIdeia aqui em recife, ano passado.
Nesses 6 meses muita coisa aconteceu e a festa sempre ficava sendo cnstruída nas horas vagas, mas não estou só nesse caminho de maneira nenhuma.
Toda festa tem um tema e, ao acertar a casa de festa decidi que seria "Nossa Primavera", assim poderia abusar de flores e afins.
Com o tema definido tive o apoio mais que maciço de minha mãe Lidivina, e de minha irmã Cecília.
Enquanto eu trabalhei com os materiais que seriam descartados elas inovaram fazendo lindos presentes para os amiguinhos das meninas: bonecas floristas e jardineiros. Esses foram simplesmente um encanto, que, prometo, faço outro post só com eles.
Bom, sobre minhas ideias, os materiais foram chegando, os amigos ajudando com muitas doações e assim consegui cerca de 200 rolinhos de papel higiênico, muitos rolinhos de papel toalha (não contei), mais de 100 garrafas de coca cola dos mais variados tamanhos e mais de 100 embalagens de tetra pac.
Fui estocando esse material devidamente limpo em caixas maiores dentro do banheiro da DCE, visto que aqui em casa só temos passadeira que não usa o chuveiro.
Aos poucos já recortava as garrafas e ficava apenas com o bico, que formei as flores, descartando o resto.
Os rolinhos deixei para pintá-los pós natal, assim como todo o resto. Sim, fiz a maioria das coisas do natal para cá.
No meio do caminho vi que nem toda ideia dá certo, e assim acabei descartando as embalagens de tetra pc, pois mesmo com primer e tinta acrílica o rótulo aparecia. Apesar de ser uma "festa verde" a beleza foi fundamental.
E, desse modo, usando rolinhos para pintura, tinta acrília para as garrafas montei minhas flores de pet. Depois de montadas as arrumei em 3 jardineira feitas a partir de uma caixa de TV, e, dessa forma concluímos, eu e meu marido (fiel escudeiro, apoiador, ajudante, incentivador, etc, etc, etc, etc...) que "em se plantando em terreno de isopor, flores de plástico brotam!".
Sobre os rolinhos fui fazendo flores, depois de pintados com tinta guache, pelo lado de dentro e de fora com ajuda de rolinhos. Depois de pintados, foram recortados e colados, formando flores de 5 pétalas e de 7 as feitas com papel toalha (maiores). Com auxílio de prendedores de roupas fiz as flores e montei 4 painéis com várias flores coladas entre si.
Já os furokamas foram feitos ao longo de todo tempo, pois são sim trabalhosos. São fáceis, porém repetitivos: 60 pétalas para formar 12 flores com 5 pétalas que se intercalam entre si.
E, depois de toda logística veio a melhor parte, a que compensou cada cansaço, a herpes que me estourou na boca pela primeira vez na vida bem nessa semana: a alegria de ver minhas filhas brincando felizes junto com seus primeiros amigos de uma vida toda pela frente. Amigos que estudaram juntos ano passado, amigos que já não mais se encontram com tanta freqüência e amigos que, tenho certeza, pelos pais e pelas crianças, farão muita farra junta ao longa dessa vida que ainda só tem os primeiros felizes e saudáveis 4 anos!
A festa foi mágica! Tudo correu bem, apesar de umas poucas faltas por viagem e, outras, infelizmente, por doença. Mas cada amiguinho faz parte da nossa alegria.
E, por tudo isso e pelas inúmeras bênção que Deus concede a mim e a minha família, posso apenas dizer que sou muito grata!

* furokamas: são essas bolas penduradas no teto em cima da mesa do bolo.
PS. Apesar de não querer bola, algumas apareceram. Foram bolas em forma de flores, que haviam sido utilizadas na festa de sexta feira do salão de festas. Sendo assim sim!
PS. 2: A decoração, exceto os furokamas já foram emprestados para outra festa!!



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Tempo, tempo, tempo

Sim o tempo é democrático, não pára, resolve muitas coisas e é o mesmo, tanto para crianças como para adultos, e aí é outra história...
É difícil explicar o tempo para as crianças, ainda mais com o saudade vivendo no quarto do meio.
Aqui em casa procuro explicar da maneira mais fácil e divertida possível essa complexa noção temporal, mas de vez em quando a criação fica sem rumo.
Hoje consegui caminhar de manhã e, ao entrar em casa estava Maria Helena tomando seu leite matinal na sala. Eu disse "bon jour!" e ela: bom dia mamãe, minha festa de aniversário é hoje?
Complicado, complicado.
Até o Natal estava fácil. Tínhamos o calendário de Natal e ainda lemos (na verdade 20 dos 24 dias quem leu foi meu marido) o lindo livro "O mistério do Natal" de Jostein Gaarder, a cada noite. Então essa etapa foi fácil, mas o aniversário mesmo, dia 9 será numa quarta, e este é o melhor, chegarão aqui em casa minha mãe e minha irmã e a festa será no domingo após.
Juntando tudo isso e uma vontade enorme de fazer coisas para minhas filhas botei as mãos na massa e lá fui eu recortar colar e costurar um calendário de feltro para minhas pequenas.
Resultado final aqui, mais detalhes na fanpage: https://www.facebook.com/RochaDasArtes?ref=hl

Bom final de 2012, ah, e ainda dá tempo para fazer muitas coisas e coisinhas antes de 2013 chegar!
Abraço,
Lidiane

domingo, 25 de novembro de 2012

Sair da inércia

Há tempos que já descobri que sou movida a pressão. Adoro trabalhar, fazer coisas, mas preciso sempre de um empurrãozinho.
Atualmente, como sou autônoma, as coisas ficam um pouco mais complicadas, pois sou eu mesma quem tenho que ter o insight para sair da zona de conforto.
É fácil perceber que, de repente, estou eu "a espera de um milagre". Sim, fico, por um tempo curto, é claro, querendo que os problemas se resolvam de forma mágica, que alguém, que não eu, venha com as soluções prontas, o cronograma feito, para que eu, apenas siga...
Doce ilusão, mas ainda sim me pegarei nessa situação inúmeras vezes, eu sei.
No entanto, todo esse pensamento passa, afinal tudo passa...
E aí chega o "ponto de mutação" a hora de eu fazer e acontecer e tomar, de fato, as rédeas das minhas atitudes e decisões, e aí entra o meu "modo trator".
Quando estabeleço minhas metas, defino minhas ações, não paro,  apenas vou até o fim e faço, da melhor forma que consigo. Meu corpo, coitado, sofre um pouquinho né, mas nos entendemos bem. Isso porque não sou eu, somos nós 4 aqui em casa, e, mesmo com todas as minhas decisões e metas em relação ao trabalho, a prioridade básica, são minhas filhas, todo o resto, inclusive eu somos segundo plano.
E assim, com toda logística vou me virando e seguindo meu caminho.
Dessa forma, vim trabalhando ao longo dessa ano com algumas encomendas, e, quando não,  inventando e crio peças novas, faço coisas, e vou criando um acervo Rocha das Artes.
A produção desse ano teve muito mosaico em forma de espelho, mandalas e bandejas de várias formas e tamanhos. Ainda fiz caixinhas revestidas em tecido, necessaires de tecido, álbuns de fotos com capas dura, bloquinhos de notas com capa dura, colchas e mantas em patchwork, almofadas com o Divino Espírito Santo, conjuntos de aventais, enfim, tudo o que garimpei em vários tipos de pesquisa e me encantei.
Com toda essa produção já estava mais que na hora de fazer alguma coisa para divulgação e venda de tudo isso, mas embora seja óbvio, o medo da organização envolvida adiou esse fato até final de outubro.
Nesse período levei apenas os mosaicos na casa de uma amiga, e lá fiz algumas vendas, e recebi muitos elogios. Isso foi no dia 26 de outubro, acordei no sábado, dia 27 com a ideia de um evento aqui casa pronta, para os dias 23 e 24 de novembro.
Apenas um detalhe foi que, no meio desse tempo fizemos uma viagem de 1 semana para Gramado. Foi maravilhoso, porém os prazos ficaram bem apertados.
Fazer algo em casa, foi bom também porque tive também a colaboração mais que especial das bonecas e panos de prato de minha mãe Lidivina e minha irmã Cecília.
O primeiro ponto foi divulgar no meu prédio, que tem 24 apartamentos, e apenas 2 além do meu conhecia o trabalho, o outro convidar os amigos e aí outro presente ver e rever amigos muito queridos que, infelizmente, pelas atribulações da vida não nos víamos a anos.
Por tudo isso, valeu a pena cada esforço, cada detalhe, cada trabalho realizado e ainda há sempre o fator surpresa: conhecer e formar novos amigos.
Foi maravilhoso.
E agora meus sinceros agradecimentos eternos: à minha mãe e minha irmã, que apesar de distância interestadual moram aqui comigo, dentro do meu coração e dentro da minha casa em cada detalhe e cada carinho, sempre enviado pela ajuda dos Correios; ao meu marido, que além disso é meu melhor amigo, meu conselheiro, ajudante, melhor pai, incentivador e auxiliar nos assuntos aleatórios envolvendo desde a escolha de cores até ajuda física no evento; à minha sogra Maria de Fátima, ou simplismente "Tia Fátima" que não é sogra não, é uma mãe loira que Deus me deu, e é claro as minhas duas filhas, que apesar da pouca idade já entendem que essa mãe tem ideias malucas, mas é que são elas o centro do meu mundo.
E, com carinho, agradeço de coração a cada amigo e amiga que tiveram o carinho e atenção para comigo, e puderam vir aqui em casa, e presentear com a doce companhia.
A todos, meus mais que sinceros agradecimentos.
E, a partir de agora, vou incluir na minha agenda: bazar- open house em meados de abril para o dia das mãe e final de outubro para o natal.
Abraço a todos, com um domingo lindo ensolarado e cheio de festas,
Lidiane

 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Era digital

Enfim, eu que me considero, sem frescura, uma mulher das antigas e que adora internet, finalmente entrei na era digital.
Tecnologia aqui em casa é domínio de meu marido, meu querido e amado Popa. Aqui todos os equipamentos eletro eletrônicos são "popa-dependentes".
É verdade sim. Os computadores não respondem, a TV perde o sinal e assim vai.
Passei por uns mal bocados com fotos. A nossa querida super máquina digital de 2007 não resistiu a alguns milhares de fotos pós vinda das Marias. O celular não tem qualidade suficiente, e o tablet ou descarregava, ou estava com seu dono, sim o Popa!
Mas, com carinho e na hora certa o próprio homem da casa me presenteou com uma versão atual, funcional e, ainda por cima violeta!
Resolvido o problema do registro dos trabalhos e da vida.
Mas isso foi só o começo dessa minha era digital.
A partir do momento que a tecnologia avança o modo mecânico não cativa mais e os processos para que os objetos funcionem são tão demorados, chatos e frustrantes que o melhor é ceder ao novo.
Pois bem o produto em questão agora é máquina de costura.
Quando paro e olho para trás, fico sem saber como foi possível trabalhar em condições tão difíceis. Até o ano passado não tinha ateliê, e trabalhava pela casa toda. Cortava na sala, costurava no quarto da minha mãe e passava no local que hoje é o ateliê. Para quem faz patchwork dá para imaginar a logística "boa" que era. Isso sem contar que quiltei algumas colchas de solteiro e algumas maiores ainda em uma mesa de 80X80!
Por aí vejo que o amor pelo que se faz está acima das condições possíveis, e quando se quer a obra aparece.
Bom, voltando ao fato da máquina.
No início, que estive aqui em Recife, em 2005 [a história é longa e vou abreviar: vim sem meu marido, na época noivo, pois ele estava em Campinas. Fiquei por 4 meses morando com meus sogros, e fui até confundida por estranhos que acharam que eu era irmã de minha cunhada. Mas enfim, para ajudar a me ocupar (e também bagunçar um pouco a sala de jantar da casa)] meu sogro comprou uma máquina doméstica Singer Inspiração. É uma máquina simples, porém ela sempre me salva, pois como não tem muitos recursos faz bem seu trabalho simples.
Em maio de 2009 quando fiz o curso básico de patchwork fui apresentada à Singer Quilter que me pareceu muito boa e bem mais completa. Em junho do mesmo ano a minha Quilter chegou e me ajudou em todos os trabalhos até pouco tempo atrás. Porém, por ser uma máquina mecânica e precisar de vários ajustes para pontos diferentes (leia-se decorativos) eu nunca consegui me adaptar bem à ela. É bom esclarecer ainda, que esta máquina Quilter não vem com manual funcional, e não consegui encontrar ajuda na internet.
Ela foi, várias vezes para revisão e check-ups. Lembro-me com clareza que a usei bem nos meses de novembro e dezembro passado. Em janeiro viajei para a casa de minha mãe, em fevereiro fiz as arrumações necessárias no ateliê e em abril ela foi para a revisão. Novamente a usei. Parei com ela nos meses de junho e julho, e no final de agosto lá fui eu novamente à autorizada.
Nesse serviço, em especial precisei ouvir, de dois senhores da loja que o problema da máquina "era a operadora". Algumas respirações profundas depois, esclareci novamente o que havia notado e eles inventaram, nitidamente algo para "consertar".
Ao usá-la em casa vi outro problema e aí mudei de local. Depois de andar um trecho considerável com a máquina nos braços (peso aproximado de 9,5kg), descobri que o local era na direção oposta e sim, fui bem atendida e, pelo menos o responsável deste local fez um "teste" comigo no qual verificou que o problema não era eu!!!!
Fiquei feliz a máquina foi novamente consertada e voltei no dia seguinte para buscar. Na retirada, enquanto o moço via se podia me entregar a minha máquina para mim, pois eu esquecera o comprovante em casa, (pelo menos 30 minutos de carro de casa sem trânsito, o que não foi o caso, nesse dia 1 hora para cada trecho) matei uma barata, ouvi graça,  precisei recolher a mesma e jogar no lixo.
Enfim, depois disso tudo voltei para casa e, de novo não consegui fazer os tais pontos decorativos.
Me cansei e dei um basta.
E hoje, finalmente chegou minha nova máquina. Uma Janome 3160 para chamar de minha. Toda digital, simples simples de usar. Basta dizer que já testei todos os pontos decorativos e até mesmo meu marido, "que nunca antes na história desta casa" havia se sentado em frente a uma máquina, se sentou e costurou com e sem pedal vários pontos.
Enfim, agora sim estou digitalizada.
Antes de comprar pesquisei muito, e gostei desse blog: http://oceanodevidro.blogspot.com.br/2012/02/singer-brother-ou-janome.html
Felizmente devo concordar com cada palavra. A máquina realmente me impressionou, e ainda tirou um peso da consciência o barulho para os vizinhos, ela é bem silenciosa.
Nova etapa, nova faze e que venham as inspirações, pois a alegria de hoje não poderia ter vindo em melhor hora "Semana da Criança".
Ganhei de verdade um brinquedo novo com cheirinho de plástico e tudo. E por essas e outras que hoje, em especial, mais do que o normal, "estou feliz pra cachorro, contente pra burro" (para trilha sonora é só procurar  5 a seco).
Felicidades para todos,
Lidiane

domingo, 7 de outubro de 2012

O tempo em "quase" 5 anos

Semana passada fui com minha família passar 2 dias em Porto de Galinhas.
Lá nos hospedamos em uma pousada simples que, em janeiro de 2008 pude me hospedar com meu marido e sua família.
Voltando a esse lugar passou muita coisa em minha lembrança...
Naquela época meu pai ainda estava presente, a maternidade ainda era um sonho, meu trabalho tomava outros rumos, eu estava BEM mais magra...
Chegando na pousada procurei pela dona, que é a administradora e responsável, e, mesmo 5 anos depois tudo está muito parecido, arrumado e cuidado com carinho.
Ao ver D. Moema vi que o tempo também passara para ela.
O tempo não pára, e vai deixando suas marcas.
Quando me deparei com o intervalo de quase 5 anos vi que o que vale é o aqui e agora. Com responsabilidade e cuidado, é possível ver que sempre há perdas e ganhos, tristezas e alegrias e, para manter a linha, frente a tudo isso, o equilíbrio é fundamental.
Olhei para mim, e comecei a ver, com calma e verdade vários aspectos meus e, como estou ao longo desse intervalo. Certamente o peso foi o mais notório, algo está errado e a mudança tem que acontecer.
Mas, apesar da perda de meu pai, da saudade, do convívio contínuo com a distância de meus familiares o fato de ter agora "uma família para chamar de minha" me deixou bem feliz e tranquila.
E, pensando em nós 4 vi que, novamente a "felicidade está nas coisas simples".
Seria ótimo ter todos juntos, ter meu pai ainda por aqui, poder vê-lo com minhas filhas entre tantas outras coisas. Isso sem contar na falta que sinto de escutar sua voz, pois nos sonhos eu nunca o ouço...
Que seria melhor seria, mas o fato é outro então o melhor é fazer de cada etapa uma nova fase com amor e carinho.
E a propósito, a frase escrita em um prato na parede não é de minha autoria não. Ela faz parte da decoração de um restaurante lá de Porto, e eu que já havia visto antes no face, não resisti e achei que ela diz o essencial.
Abraço,
Lidi