Amamentação foi para mim a maior concretização do amor que tenho por minhas filhas, porém junto com ela passei por todo um processo que me colocou a pensar em como um ato tão pessoal e natural pode se tornar tão exposto.
Fiquei impressionada de como minha vida e de minhas filhas são interesse tão constante de outros, outros esses que nem conheço e que questionam sobre a amamentação com tanta propriedade que muitas vezes chega a intimidar.
A vida da mãe de um recém-nascido é assunto fácil na boca dos outros, e com isso inclui-se comentários, sugestões, imposições, receitas e afins...
Vou relatar aqui minha experiência sobre a amamentação.
Hoje, dia 10 de junho, minhas filhas estão com 5 meses e 1 dia. Faz quase 1 mês que tenho tentado fazer meus peitos secarem e eles ainda têm leite...
Aqui no Brasil as coisas são decididas de cima para baixo.
Políticos nem sempre preparados fazem leis e nós nos vemos obriados a cumprí-las sem nem saber ao certo.
Amamentação é direito da criança e é proibido por lei a prescrição de leite artificial na maternidade. Outro ponto também proibido é a propaganda e promoção de leite artificial, mamadeiras, chupetas e afins.
Então vamos ver.
Eu tive duas meninas e, graças à Deus, meu leite começou a descer rápido, mas não tive a orientação adequada sobre o leite artifial, pois na minha cabeça só havia espaço para o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Leite artificial era como um veneno no meu cérebro.
Mas imaginem a responsabilidade de ter duas boquinhas, com baixo peso, preisando muito de alimentação e com as dificuldades naturais desse processo: cansaço ao mamar, bico não muito protuso, leite com fluxo lento...
Ou seja, dias de choro, delas e meu...
No entanto, as avós existem e estão aqui para nos salvar. No terceiro dia em casa com as meninas não resisti, comprei o tal leite artificial.
Psicologicamente ou não, essa lata fez milagres em casa. Junto com ela o leite começou a descer como água, e só para deixar claro, ela durou por 2 meses...
Ter esse leite tirou o peso das minhas costas, e assim eu sabia que se algo acontecesse comigo, elas teriam alimento, mas isso quase nem foi preciso, pois nesses dois primeiros meses elas ficaram grudadas nos meus peitos quase que em período integral.
Amamentar teve momentos mágicos de contato e interação entre nós 3 que só foram possíveis novamente com auxílio de dois guerreiros que tenho ao meu lado: minha mãe e meu marido.
Nesses dois meses de aleitamento quase exclusivo eu almocei ou jantei com garfo e faca, no máximo umas 10 vezes!
É isso mesmo, eu não comia na mesa, muito menos com talheres de adulto. Minhas refeições foram dadas na minha boca, e de colher (para não cair migalha nas meninas) por minha mãe e meu marido. Os líquidos eram dados por canudo.
Nesse perído eu me resumia a dois peitos.
Todos que passavam em casa inevitavelmente me viram amamentar.
Como são duas, acabada a mamada lá ia eu entregar uma das bebês ao pai au as avós para o arroto. E assim nesse primeiro momento eu quase não desfrutava muito do aconchego com as pequenas. A prioridade era alimentação, e desse jeito com muito carinho e trabalho áduo da nossa “equipe familiar”, do primeiro ao segundo mês elas ganharam o primeiro kilo, aliás mais, 1200kg cada uma.
Foi uma grande vitória.
Mas aí começou nova luta, pois as duas sentiam (e sentem fome) quase ao mesmo tempo, e ficando maiores elas já não aceitavam dividir a mãe. Tanto por espaço, quanto por atenção mesmo.
Nessa fase, reconheço não consegui administrar essa coisa de você mama e você vai na mamadeira (leite artifial).
Dessa forma aluguei uma desmamadeira elétrica, e com ela eu passei de “dois peitos” para “mamãe”.
A bomba foi crucial para que eu pudesse viver de forma mais normal, e com isso garanti leite materno para as meninas por mais 2 meses.
O problema diminuiu, porém desmamar ainda exigia muito, muito amor e muita doação, pois é algo que só a mãe pode fazer.
Aqui em casa a jornada dupla é bem cansativa durante o dia, e dessa forma sobrava apenas a noite e madrugada para desmamar.
Ou seja, à noite depois da jantar, qunado todos dormiam lá ia eu desmamar. Depois na madrugada, entre uma mamada e outra das meninas lá ia eu novamente desmamar, pois o peito já estava cheio (e ele adorava encher perto das 3 da manhã).
E isso se repetia na manhã, e talves à tarde quando dava.
Nessa levada eu consgui garantir cerca de 600ml de leite diário para cada Maria, e com isso, mesmo com complemento elas foram ficando cada vez mais saudáveis, e desmamando do peito aos poucos.
Até que numa manhã, fazendo a “centésima” desmamada, logicamente enquanto todos de casa dormiam depois de uma noite tranquila de sono, eu não aguentei mais e resolvi parar. Isso aconteceu na manhãe de 16 de maio.
Mesmo com muito leite e sabendo de todos os benefícios, nesse momento eu fui um pouco egoísta e pensei em mim, afinal as meninas precisam de uma mãe inteira para elas, e bem inteira pois elas me dividem o tempo todo.
E assim tomei o remédio para secar, e é claro ouvi de muitos desconhecidos e “entrometidos”: “que pena!!!”, “coitadas!!!”. O que mata é que ninguém que diz uns absurdos desses ao menos já teve filhos ou se viu em igual situação.
Isso tudo fica ecoando na minha cabeça e eu precisava desabafar.
Amamentar é um ato de muito amor, e não devia ser imposto por lei ou por estranhos. Cada mãe, junto com seu filho é quem deveria estabelecer essa relação, e para ser boa, tem que ser prazerosa para ambos lados.
Lidi, desabafo (ainda com gotinhas de leite no peito), 10/06/09
Um comentário:
Lidi, você é demais.. não se culpe.. eu também passei por isto. Esta luta foi até os 8 meses quando um dia o peito já quase seco o Pedro tentou mamar pela última vez na saída do hotelzinho (final da tarde).. lembro deste último momento, mas tudo este desabafo aconteceu comigo também.. te falo mais se você antes não comia com talheres eu até hoje como com colher pois meu tempo é curto e tenho que dar almoço, levar para escola e chegar na instituição as 13:00hs.. uma correria. Fique tranqüila minha amiga. O problema é que as mães não tem tempo de fofocar, senão não ficaríamos tão angustiada com algumas atitudes que devemos tomar sozinhas.. porque os nossos filhos dependem muito de nós. Parabéns amiga. Depois te escrevo mais.. estou no horário de trabalho e agora tenho que sair deste computer. Saudades KCSF
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